Nem a passagem de ano parece despertar o turismo no Algarve

Posted on 12/25/2011 by TVA TV ALBUFEIRA ONLINE

Os preços baixaram, mas há menos gente a querer festejar o novo ano. O Algarve como que hibernou e não será a festa de despedida do ano que o fará despertar.

"A crise está aí e veio para ficar", comenta o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas. O representante dos hoteleiros acha que o facto de o fim do ano calhar a um sábado, sem direito a "pontes" para fazer mini-férias, não estimulou as propostas de promoção para fazer "férias cá dentro". As previsões apontam para que a ocupação fique por metade daquilo que acontecia no tempo em que o réveillon era sinónimo de smoking e vestidos com lantejoulas, orquestra a tocar e muito champanhe.

Algumas das unidades hoteleiras de cinco estrelas - como o Hotel da Quinta do Lago - estão mesmo encerradas. "A situação tende a agravar-se", enfatiza Vítor Faria, ligado a este grupo hoteleiro e vice-presidente da Associação dos Industriais de Hotelaria e Similares do Algarve. A subida da taxa do IVA no golfe, de seis para 23%, diz, "representa mais uma machadada nas tentativas para reduzir a sazonalidade". Por este andar, prevê, "o Algarve está condenado a fechar de Novembro a Março".

Quem percorre a Baixa de Albufeira, à procura da conhecida movida, corre o risco de sentir a onda da solidão a bater-lhe no pensamento. Na cidade que reclama para si o estatuto de "capital do turismo" não há pessoas na rua, os bares e restaurantes estão encerrados e à noite só as gaivotas mostram que ainda têm pio. Durante o Inverno, dizem, é sempre assim. Só quando chega o réveillon é que a festa dá uma sacudidela e o povo, de novo, se agita.
Mas, este ano, o Algarve demitiu-se de rivalizar com a Madeira, em termos animação e fogo-de-artifício. À última hora, o município conseguiu mobilizar os empresários a investir 80 mil a 90 mil euros num concerto tendo Áurea como cabeça de cartaz, mas o programa de animação ficou muito aquém das edições anteriores.

Na zona da marina de Vilamoura, repete-se a imagem de uma região metida no casulo. Os iates ancorados ganharam limos no casco. Nas lojas da envolvente zona comercial, não se sente o espírito natalício. "Baixámos os preços e estamos com um número de reservas abaixo do ano passado", diz o director-geral do Tivoli Marina, Vilamoura - um clássico hotel de cinco estrelas, vocacionado para o turista nacional com poder de compra. O pacote da festa do réveillon e dormida custa 250 euros por pessoas. As reservas andam na casa dos 50%.

Em Albufeira, no Hotel Alísios, quatro estrelas, o proprietário, José Carlos Leandro, explica que, se tivesse optado por fechar no Inverno, "não estaria a perder dinheiro todos os dias".
A recente notícia de que o principal operador turístico britânico Thomas Cook regista prejuízos de 516 milhões de libras e iria encerrar 200 lojas no Reino Unido deixou os hoteleiros ainda mais preocupados. Por outro lado, a empresa de low-cost Ryanair, entretanto, cancelou 25% dos voos que tinha programado para Faro, durante a época de Inverno.

Algum optimismo

No meio da crise, há ainda lugar para algum optimismo. "Surpreendentemente, não notamos uma grande quebra", diz o director de operações do grupo hoteleiro Vila Galé, Carlos Cabrita, reconhecendo que a falta de "uma atitude positiva" da parte das entidades oficiais tem contribuído para o clima de "indecisão" que se instalou. "As pessoas ouvem falar de crise, e só crise, não sabem que fazer", comenta.

Também o administrador da Garvetur, Reinaldo Teixeira, regista um número de reservas 4% acima do ano passado, na mesma altura. "As reservas estão a funcionar bem, e há muita gente que se decide à última hora", observa. A oferta de alojamento não é na hotelaria tradicional. A empresa dispõe para alugar de cerca de 800 apartamentos e vivendas, distribuídos por Vilamoura, Quarteira, Albufeira e Carvoeiro.