Open Quinta dio Peru - Gonçalo Pinto lidera
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Open Quinta do PeruAMADOR GONÇALO PINTOSURPREENDE CAMPEÕES NACIONAISO CAMPEÃO NACIONAL AMADOR, GONÇALO PINTO, OBTEVE O MELHOR RESULTADO DA PRIMEIRA VOLTA E O...
Grande Reportagem: Sexo em Albufeira
Posted on 8/26/2011 by TVA TV ALBUFEIRA ONLINE
48 minutos. Foi quanto demorou a fazer sexo com três italianos,
um após o outro, num quarto de hotel. Depois, ainda sobrou tempo para sexo oral
no carro de um quarto indivíduo. De volta a casa, com os lucros ainda no sapato,
recebeu um cliente habitual que gosta de ser espancado. Quando finalmente
terminou a noite, Melissa contabilizou uns simpáticos 700€ Euros.
“Foi uma quinta-feira muito ocupada, não é costume”, explicou-nos Melissa,
deitada num colchão na manhã seguinte, enquanto uma amiga (ex-stripper) lhe
fazia a pedicure. “Cinco homens à noite e dois durante o dia”.
“Na verdade, fui para a cama depois da novela a pensar que ia ter uma bela noite de sono. Mas entretanto acordei com o barulho de uns veraneantes que chegaram perdidos de bêbados a casa. O telefone tocou e pensei, bem, agora já estou acordada…”
Num “dia normal”, Melissa faz qualquer coisa entre €150 a €300. À medida que o verão traz cada vez mais gente de férias, esta média também cresce proporcionalmente – e tudo corre segundo planeado.
Melissa é uma das centenas de mulheres brasileiras que vivem e trabalham no submundo da prostituição em Albufeira – segundo dizem, é indiscutivelmente a capital do sexo no Algarve.
E tal como muitas outras, quando cá chegou, era “uma completa inocente”.
“Eu era muita burra. Fui trazida por uma pessoa que me disse que aqui havia montes de trabalho – mas eu não fazia ideia que de tipo de trabalho é que era”, conta.
“No princípio, chorei noite e dia. A primeira vez que tive sexo com um cliente não senti nada. Mesmo nada. Estava em estado de choque”.
Mas esta mulher de 39 anos que veio para ganhar dinheiro para dar uma vida melhor ao filho e à mãe que ficaram em Minas Gerais, diz ter “aprendido depressa”.
“Passei um mês e meio naquela casa e depois estabeleci-me por conta própria neste apartamento. Ganhei de novo controlo sobre a minha vida. Na casa onde estive, a senhora que me trouxe publicou o meu anúncio (nos jornais). Atraiu toda a espécie de homens tarados e nojentos”, conta.
“Quando me mudei para o meu próprio apartamento, eu escrevi o meu próprio anúncio. Sou meiga e completa, lê-se agora. Uma professora – e isso significa que eu atraio homens que querem realizar as suas fantasias. Claro, alguns deles são sado-masoquistas”, como “o simpático senhor inglês”, que é um dos seus mais fiéis clientes.
“É um escritor”, que teve “experiências traumáticas na escola” e que gosta de ser castigado. “É um homem maravilhoso. Muito inteligente. Temos longas conversas…”
Na verdade, Melissa tem estudos. Tem formação em Educação de Infância e também em Administração de Negócios. Planeava até matricular-se numa pós-graduação em Psicologia, antes da vida no Brasil se tornar “muito complicada”.
“Ninguém pode dizer o que é capaz de fazer até ao dia em que vir os filhos com fome”, disse-nos a amiga de Melissa, enquanto lhe pintava as unhas dos pés.
“Isso é certo”, confirmou Melissa com um olhar. “Estou totalmente focada no meu plano – que inclui trabalhar desta forma talvez durante mais um ou dois anos, comprar uma segunda casa no Brasil e assegurar a estabilidade do meu filho.
Então, acho que terei tempo para pensar em mim. Vou encontrar um homem, mudar-me para outra cidade e estabelecer uma família. Vou casar e ter uma vida nova!”
“Oiça, um presidente não é presidente a vida toda. Pode ser durante quatro anos, talvez oito se for eleito – e depois disso, não fará mais nada. O mesmo se aplica a uma prostituta. Ela não tem que ser prostituta para o resto da sua vida!”
“Da forma como vejo o que faço”, explica-nos com calma, “é simplesmente como se estivesse a tirar férias da minha própria vida. Mas isso também já me ensinou muito sobre muitas coisas. Aprendi a valorizar-me e a manter-me motivada”, diz.
“Onde estaria se começasse a pensar no amor…?”, obviamente que esta era uma pergunta retórica.
O telefone toca. “São €30 euros para convívio” (isto é, sexo), “e €40 euros para convívio com massagem. Não, depois não fica com nenhum cheiro. Sim, trabalho sozinha. Sim, sim, pode vir ter comigo mais tarde…”
Temos que ir embora? “Não, não. Ele não vem já. Só daqui a pouco.”
“A maioria dos meus clientes são homens casados”, revela Melissa. “Eles vêm porque as suas esposas lhes disseram “não” a qualquer coisa.” Por exemplo, o sexo anal é um pedido frequente. “Pedem-me muitas vezes para me comer o rabo.
As mulheres portuguesas não querem fazer isso – e claro, os maridos respeitam o pedido negado – e isso é muito mais do que os homens brasileiros fariam! Eles esperam que as suas mulheres façam tudo e mais alguma coisa!”
“E portanto, estes respeitáveis homens portugueses casados vêm visitar-me, e eu tento fazer bem o que eles querem, para que regressem de novo. Gosto de estudar-lhes o corpo e ver quais as zonas onde são mais sensíveis”, diz.
Como em qualquer profissão, Melissa também tem as suas regras: nada de africanos. Racismo? É mais um problema cultural. “Eles roubam coisas! Tive um que me roubou o meu desodorizante!”
Romenos também não – “são muito brutos”. E definitivamente nada de viagens ao Montechoro – zona “muita perigosa. Lá, os homens esperam uma mamada por €20. São muito rascas!”
Enquanto Melissa começa o dia com a sua pedicure, Sueli e Kelli, também do Brasil, estão ocupadas a trabalhar num apartamento muito próximo do centro de Albufeira. Partilham a casa com outras duas raparigas portuguesas – e o clima não é assim tão positivo.
Sueli não sabe por quanto mais tempo terá que trabalhar desta forma e “definitivamente não o faço porque gosto. É mesmo só pelo dinheiro.
Tenho de fazer dinheiro para sustentar os meus dois filhos. Sou viúva. Não tenho ajudas de ninguém e tenho de trabalhar assim até os meus rapazes (de 17 e 18 anos) acabarem os seus estudos”, diz.
Kelli, de 34 anos, diz que “não posso esperar até deixar esta vida”. Deu a si própria até Dezembro, “e depois vou para casa ter com as minhas crianças, não importa quanto dinheiro fiz ou não”, diz.
A razão para a mudança é que “está apaixonada”, o que “me torna a vida muito difícil. Não tenho o entusiasmo que já tive”, diz.
Kelly e Sueli oferecem sexo anal e oral (€60), e um show lésbico (“a fantasia de todos os europeus”) por €100.
“Antes de 2010, ganhávamos mesmo bem aqui – mas agora com a crise, tivemos que reduzir os nossos preços. Não é a mesma coisa. Nada como um bom…”
Também a lei não constitui qualquer problema para estas raparigas.
Elas declaram rendimentos e pagam impostos através de falsos contratos de trabalho, “para manter o SEF feliz”, e a polícia “nunca causou quaisquer problemas”.
Contudo, é uma vida de risco.
“Arriscamo-nos todos os dias”, concordam em unanimidade.
A comunicação foi difícil, pois os telefones neste apartamento estavam constantemente a tocar. Sueli desaparece com um quase inexpressivo “xauzinho Natasha” e uma pequena e muito pálida rapariga portuguesa com piercings na cara aparece de repente de um dos quartos.
Assim foi uma tarde de sexta-feira no meio de Agosto. As coisas vão aquecer quando os bares fecharem e toda a gente quer lucrar o máximo possível enquanto é verão.
Enquanto deixo a confusão de Albufeira para trás e me dirijo para oeste, onde a maioria das pessoas que conheço ganham menos de €700 por mês, penso na comparação da Melissa entre presidentes e prostitutas.
É que estes podem causar muito mais dor e frustração às pessoas durante o tempo em que estão no poder – enquanto as prostitutas trabalham duro apenas para dar prazer…
Natasha Donn
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“Na verdade, fui para a cama depois da novela a pensar que ia ter uma bela noite de sono. Mas entretanto acordei com o barulho de uns veraneantes que chegaram perdidos de bêbados a casa. O telefone tocou e pensei, bem, agora já estou acordada…”
Num “dia normal”, Melissa faz qualquer coisa entre €150 a €300. À medida que o verão traz cada vez mais gente de férias, esta média também cresce proporcionalmente – e tudo corre segundo planeado.
Melissa é uma das centenas de mulheres brasileiras que vivem e trabalham no submundo da prostituição em Albufeira – segundo dizem, é indiscutivelmente a capital do sexo no Algarve.
E tal como muitas outras, quando cá chegou, era “uma completa inocente”.
“Eu era muita burra. Fui trazida por uma pessoa que me disse que aqui havia montes de trabalho – mas eu não fazia ideia que de tipo de trabalho é que era”, conta.
“No princípio, chorei noite e dia. A primeira vez que tive sexo com um cliente não senti nada. Mesmo nada. Estava em estado de choque”.
Mas esta mulher de 39 anos que veio para ganhar dinheiro para dar uma vida melhor ao filho e à mãe que ficaram em Minas Gerais, diz ter “aprendido depressa”.
“Passei um mês e meio naquela casa e depois estabeleci-me por conta própria neste apartamento. Ganhei de novo controlo sobre a minha vida. Na casa onde estive, a senhora que me trouxe publicou o meu anúncio (nos jornais). Atraiu toda a espécie de homens tarados e nojentos”, conta.
“Quando me mudei para o meu próprio apartamento, eu escrevi o meu próprio anúncio. Sou meiga e completa, lê-se agora. Uma professora – e isso significa que eu atraio homens que querem realizar as suas fantasias. Claro, alguns deles são sado-masoquistas”, como “o simpático senhor inglês”, que é um dos seus mais fiéis clientes.
“É um escritor”, que teve “experiências traumáticas na escola” e que gosta de ser castigado. “É um homem maravilhoso. Muito inteligente. Temos longas conversas…”
Na verdade, Melissa tem estudos. Tem formação em Educação de Infância e também em Administração de Negócios. Planeava até matricular-se numa pós-graduação em Psicologia, antes da vida no Brasil se tornar “muito complicada”.
“Ninguém pode dizer o que é capaz de fazer até ao dia em que vir os filhos com fome”, disse-nos a amiga de Melissa, enquanto lhe pintava as unhas dos pés.
“Isso é certo”, confirmou Melissa com um olhar. “Estou totalmente focada no meu plano – que inclui trabalhar desta forma talvez durante mais um ou dois anos, comprar uma segunda casa no Brasil e assegurar a estabilidade do meu filho.
Então, acho que terei tempo para pensar em mim. Vou encontrar um homem, mudar-me para outra cidade e estabelecer uma família. Vou casar e ter uma vida nova!”
“Oiça, um presidente não é presidente a vida toda. Pode ser durante quatro anos, talvez oito se for eleito – e depois disso, não fará mais nada. O mesmo se aplica a uma prostituta. Ela não tem que ser prostituta para o resto da sua vida!”
“Da forma como vejo o que faço”, explica-nos com calma, “é simplesmente como se estivesse a tirar férias da minha própria vida. Mas isso também já me ensinou muito sobre muitas coisas. Aprendi a valorizar-me e a manter-me motivada”, diz.
“Onde estaria se começasse a pensar no amor…?”, obviamente que esta era uma pergunta retórica.
O telefone toca. “São €30 euros para convívio” (isto é, sexo), “e €40 euros para convívio com massagem. Não, depois não fica com nenhum cheiro. Sim, trabalho sozinha. Sim, sim, pode vir ter comigo mais tarde…”
Temos que ir embora? “Não, não. Ele não vem já. Só daqui a pouco.”
“A maioria dos meus clientes são homens casados”, revela Melissa. “Eles vêm porque as suas esposas lhes disseram “não” a qualquer coisa.” Por exemplo, o sexo anal é um pedido frequente. “Pedem-me muitas vezes para me comer o rabo.
As mulheres portuguesas não querem fazer isso – e claro, os maridos respeitam o pedido negado – e isso é muito mais do que os homens brasileiros fariam! Eles esperam que as suas mulheres façam tudo e mais alguma coisa!”
“E portanto, estes respeitáveis homens portugueses casados vêm visitar-me, e eu tento fazer bem o que eles querem, para que regressem de novo. Gosto de estudar-lhes o corpo e ver quais as zonas onde são mais sensíveis”, diz.
Como em qualquer profissão, Melissa também tem as suas regras: nada de africanos. Racismo? É mais um problema cultural. “Eles roubam coisas! Tive um que me roubou o meu desodorizante!”
Romenos também não – “são muito brutos”. E definitivamente nada de viagens ao Montechoro – zona “muita perigosa. Lá, os homens esperam uma mamada por €20. São muito rascas!”
Enquanto Melissa começa o dia com a sua pedicure, Sueli e Kelli, também do Brasil, estão ocupadas a trabalhar num apartamento muito próximo do centro de Albufeira. Partilham a casa com outras duas raparigas portuguesas – e o clima não é assim tão positivo.
Sueli não sabe por quanto mais tempo terá que trabalhar desta forma e “definitivamente não o faço porque gosto. É mesmo só pelo dinheiro.
Tenho de fazer dinheiro para sustentar os meus dois filhos. Sou viúva. Não tenho ajudas de ninguém e tenho de trabalhar assim até os meus rapazes (de 17 e 18 anos) acabarem os seus estudos”, diz.
Kelli, de 34 anos, diz que “não posso esperar até deixar esta vida”. Deu a si própria até Dezembro, “e depois vou para casa ter com as minhas crianças, não importa quanto dinheiro fiz ou não”, diz.
A razão para a mudança é que “está apaixonada”, o que “me torna a vida muito difícil. Não tenho o entusiasmo que já tive”, diz.
Kelly e Sueli oferecem sexo anal e oral (€60), e um show lésbico (“a fantasia de todos os europeus”) por €100.
“Antes de 2010, ganhávamos mesmo bem aqui – mas agora com a crise, tivemos que reduzir os nossos preços. Não é a mesma coisa. Nada como um bom…”
Também a lei não constitui qualquer problema para estas raparigas.
Elas declaram rendimentos e pagam impostos através de falsos contratos de trabalho, “para manter o SEF feliz”, e a polícia “nunca causou quaisquer problemas”.
Contudo, é uma vida de risco.
“Arriscamo-nos todos os dias”, concordam em unanimidade.
A comunicação foi difícil, pois os telefones neste apartamento estavam constantemente a tocar. Sueli desaparece com um quase inexpressivo “xauzinho Natasha” e uma pequena e muito pálida rapariga portuguesa com piercings na cara aparece de repente de um dos quartos.
Assim foi uma tarde de sexta-feira no meio de Agosto. As coisas vão aquecer quando os bares fecharem e toda a gente quer lucrar o máximo possível enquanto é verão.
Enquanto deixo a confusão de Albufeira para trás e me dirijo para oeste, onde a maioria das pessoas que conheço ganham menos de €700 por mês, penso na comparação da Melissa entre presidentes e prostitutas.
É que estes podem causar muito mais dor e frustração às pessoas durante o tempo em que estão no poder – enquanto as prostitutas trabalham duro apenas para dar prazer…
Natasha Donn
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