Promessas de casamento por cumprir, que já tinham originado agressões entre um ex-casal, terminaram em tragédia. O homem terá morto a mulher a tiro e suicidou-se. Os corpos foram encontrados ontem dentro de um carro junto ao cemitério de Quarteira, em Loulé.
Indalécio Manuel Gregório Cristina, de 51 anos, director de manutenção de uma cadeia de hotéis em Albufeira, onde residia, terá morto a ex-companheira, Iolanda, com cerca de 40 anos, de nacionalidade brasileira que trabalhava num bar de alterne. O homem ter-se-á suicidado, depois, com um tiro na zona direita da cabeça. É pelo menos para este cenário que apontam os primeiros indícios recolhidos no local pelas autoridades.
Os cadáveres foram encontrados por Marta Faria, moradora na urbanização Quarteira Norte. A mulher chegou a casa por volta da hora do almoço e parou o carro no estacionamento em frente à sua casa. Na viatura ao lado, reparou que estava uma mulher, sentada no lugar do pendura, com a cabeça caída para a zona do condutor e que parecia estar a dormir.
“Estranhei que não se mexesse e que tivesse um casaco grosso vestido porque estava bastante calor”, explicou. Razões pelas quais resolveu aproximar-se e espreitar para dentro da viatura. “Foi então que vi que a mulher tinha o peito cheio de sangue e que estava um homem tombado no seu colo. Também vi uma arma no colo da mulher, junto às pernas”, acrescentou.
Nas imediações ninguém terá ouvido os tiros. Também ninguém se recorda de ter visto o carro ali estacionado durante a noite. “Pelos menos às 18 horas, quando cheguei a casa, não estava”, afiança a testemunha.
Viatura alugada em Albufeira
A GNR preservou o local até à chegada da Polícia Judiciária, que montou uma tenda branca à volta da viatura para que os especialistas e os inspectores pudessem proceder à peritagem do carro e tivessem o cadáver das vítimas longe dos olhares dos jornalistas e dos muitos populares que ali acorreram.
Só depois de aberto o veículo é que as autoridades chegaram à identificação das vítimas e começaram a perceber os contornos da tragédia. Indalécio Cristina alugou o carro, um Fiat Punto, cinzento, anteontem, numa rent-a-car, em Albufeira, da qual já era cliente habitual. “Estava muito nervoso e deveria ter entregue o carro hoje (ontem) às 14 horas, o que não aconteceu ”, disse, ao JN, Aníbal Caetano, dono da firma.
Prometeu-lhe casamento
Indalécio e Iolanda conheceram-se na noite. Apaixonaram-se e chegaram a viver juntos, em Albufeira. “O Indalécio prometeu-lhe casamento, mas ela descobriu que ele, afinal, casou com outra brasileira. Quando lhe foi pedir satisfações, ele espancou-a e atirou-a para o hospital. Ela apresentou queixa na GNR”, contou Maria Odete, proprietária de um bar de alterne onde a mulher trabalhou e de quem era amiga. O estabelecimento fica a escassos 50 metros da zona onde o crime ocorreu.
Ao que o JN apurou, Indalécio separou-se de Iolanda e decidiu passar um fim-de-semana em Espanha com a nova companheira, que também conheceu num bar de alterne.
Numa fiscalização de rotina, a Guardia Civil detectou que a brasileira tinha pendente uma ordem de expulsão de Portugal por ter sido apanhada em situação irregular durante uma rusga no local onde trabalhava. Foi entregue ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e acabou por ser repatriada. Indalécio não se conformou e viajou até ao Brasil, onde casou com a mulher, com quem actualmente vivia e a quem arranjou emprego num hotel de Albufeira.
JN