
A mulher alegadamente envolvida na morte do ex-marido, após uma violenta discussão implicando agressões, no apartamento onde ela vive, em Olhos d'Água, Albufeira, poderá incorrer numa pena de prisão de dez anos, mesmo com a atenuante de ser um caso de legítima defesa, soube o DN junto de vários advogados.
"As autoridades poderão entender tratar-se de uma situação de excesso de legítima defesa e considerar ser um homicídio simples. Mas é um caso que poderá suscitar diversas interpretações. É variável", notou um dos causídicos, referindo-se aos factos ocorridos pelas 06.10 de terça-feira.
Mariana, de 57 anos, foi constituída arguida e aguarda julgamento em liberdade, com termo de identidade e residência.
"Não utilizei o taco de golfe. Ele é que caiu", garantiu Mariana ao DN, após ter sido ontem ouvida no Ministério Público. Revoltada, desmentiu peremptoriamente relatos de que ela teria assassinado o ex-marido com um taco de golfe, após ser atingida com o mesmo na cara e na cabeça.
Porém, a arguida recusou esclarecer o que, de facto, se passou, enquanto seguia calmamente com uma amiga junto à sua residência, situada no rés-do-chão esquerdo do bloco 16 do edifício Aqua Plaza, em Olhos d'Água.
Mariana, que tem a mão direita ligada devido a ferimentos, já foi ouvida pela Polícia Judiciária e aguarda o desenrolar do processo.
Segundo informações entretanto recolhidas pelo DN, num ambiente de natural confusão e com emotividade, Mariana terá admitido como versão inicial às autoridades que foi agredida com o taco de golfe do ex-marido, mas conseguiu tirá-lo e bater com o mesmo no homem, sem, no entanto, ter tido intenção de o matar.
Posteriormente, mais calma, a arguida terá dito que "ele caiu" e já não mencionou o taco de golfe. A versão que circula entre familiares e vizinhos aponta para o facto de Mariana ter "procurado defender-se das agressões" do ex-marido "e tentado fugir sem ter tido qualquer intenção de o matar".
Anacleto, de 62 anos, que estaria embriagado, acabou por morrer dentro do apartamento numa poça de sangue e, segundo soube o DN, entre estilhaços do vidro de uma janela, que terá partido para ali entrar pela varanda e com apoio de um escadote.
O homem vivia numa garagem, nas traseiras daquele prédio. O ex- -casal, divorciado há seis meses, natural de Beja e com dois filhos, esteve emigrado na Suíça.
"Receava há muito tempo que isto pudesse acontecer após cinco anos sem se entenderem e com discussões entre marido e mulher no apartamento, que se ouviam no prédio. O problema do homem era a ingestão de bebidas alcoólicas. Gostava de cantar fado alentejano e divertir-se. Ela tem sido sempre impecável, sem qualquer agressividade. Era frequente irem à Suíça e depois voltarem ao Algarve", contou um vizinho ao DN.
JOSE MANUEL OLIVEIRA