Regras para Empregados de hotéis e restaurantes
Com o aumento acentuado de casos de infectados no Sul, as unidades hoteleiras estão a adoptar normas de prevenção rigorosas para os funcionários. Há medidas desde tirar a temperatura aos empregados até à obrigação de tomarem duche antes de entrarem ao serviço.
Tirar a temperatura quando se pica o ponto vai passar a ser rotina para os funcionários do restaurante Adega da Marina, em Lagos, para garantir que ninguém vai trabalhar com gripe A (H1N1). E para os empregados dos hotéis do grupo Pestana já é obrigatório tomar duche antes de entrar ao serviço. Na unidade do grupo Borda d'Água, em Albufeira, há ordens para os empregados fazerem vénias aos clientes, para evitar apertos de mãos. Três exemplos das medidas rigorosas que alguns restaurantes e hotéis algarvios já estão a adoptar, sobretudo junto dos funcionários, para combater a epidemia. Isto porque o Algarve é neste momento a região mais afectada do País.
Jaime Maximiano, um dos proprietários da Adega da Marina, tem tudo preparado para começar a medir a temperatura dos mais de 40 funcionários. "Esperava começar a fazê-lo em Setembro, porque esta é uma altura com muito movimento, mas se calhar sou obrigado a antecipar a medida", explicou ao DN. O restaurante tem também balneários para os empregados tomarem duche antes de entrarem ao serviço. Uma prática que foi também adoptada em vários hotéis.
Pedro Lopes, da administração do grupo Pestana, explica que o "pessoal toma duche antes de começar a trabalhar". Todos tiveram também formação e acesso a um manual para saberem o que fazer se aparecer um caso: que tipo de máscara usar e como isolar o hóspede. Nos quartos, há folhetos sobre a gripe em várias línguas.
Outras medidas passam por mudar comportamentos simples: na unidade do grupo Borda d'Água, em Albufeira, "o habitual aperto de mão foi substituído por uma vénia", diz José Fontainhas, responsável do grupo. "Os funcionários têm instruções para se anteciparem, mas se o cliente estender a mão não recusarem", adianta o responsável, acrescentando que nesse caso as regras impõem que "em seguida os empregados lavem as mãos".
Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, salienta que "desde que a pandemia foi declarada, os hotéis começaram logo a trabalhar para dar informação" e formação. Por outro lado, regista com agrado que a pandemia parece não estar a ter "qualquer influência na actividade turística", já que as unidades hoteleiras apresentam boas taxas de ocupação.
Mário Carreira, da Direcção-Geral de Saúde (DGS), admite que o Algarve é a área do País com mais casos nos últimos dias. E, mais preocupante, aquela em que há mais doentes que não sabem como contraíram o vírus H1N1. "Metade dos casos em que não se sabe quem transmitiu o vírus ao doente acontecem no Algarve e os que acontecem no resto do País são geralmente em pessoas acabadas de regressar do Algarve", adianta.
O médico lembra que a concentração de pessoas na região, que entre Julho e Setembro triplica a população residente, chegando ao milhão e meio, e a presença de muitos turistas britânicos e espanhóis, que trazem a doença, são factores que contribuem para esta situação.
Até 18 de Julho, os doentes do Sul do País eram transferidos para o Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Só a partir daí, o Hospital de Faro começou a atender e internar infectados. Até final do mês tinham sido atendidos apenas 24 casos. Agora, só nos primeiros cinco dias de Agosto foram atendidos 33. E, apesar de o ministério ter deixado de revelar pormenores sobre os casos, Mário Carreira garante que este número tem continuado a crescer.
Por isso, as autoridades de saúde resolveram abrir um serviço de apoio à gripe (SAG), dedicado exclusivamente ao atendimento de casos suspeitos de gripe A, no Centro de Saúde de Loulé. A unidade começou a funcionar no início da semana e tem tido tanta procura que tem ficado aberta até às 04.00 e 05.00 da madrugada. Ontem, abriu outro SAG em Portimão e até ao final da semana vão abrir em Tavira, Albufeira, Lagoa e Silves - zonas com maior número de turistas.
Por outro lado, o epidemiologista Mário Carreira está convencido de que ainda não há transmissão sustentada na comunidade. "Porque se já houvesse teríamos mais crianças entre os infectados e a maior parte dos doentes são jovens, que saem mais, e porque ainda não há aglomerados locais", explica.