Proteína de esponja marinha pode combater malária e cancro

Posted on 2/20/2009 by TVA TV ALBUFEIRA ONLINE

O uso de uma proteína contida numa esponja marinha que apenas existe na costa portuguesa no fabrico de medicamentos pode ajudar a tratar doenças como a malária cerebral ou o cancro, de acordo com um projecto recente.

A esponja na qual foram detectados compostos com efeito terapêutico no combate a estas doenças foi recolhida junto ao Banco de Gorringe, numa expedição científica que decorreu no ano passado.

O projecto está a ser desenvolvido pela empresa Bioalvo em colaboração com o Instituto Português de Malacologia (IPM), sedeado no Zoomarine, em Albufeira, onde já tinha sido desenvolvido um estudo semelhante com lesmas-do-mar.

A descoberta de novos fármacos de origem marinha em Portugal está a dar os seus primeiros passos, mas Helena Vieira, da Bioalvo, acredita que podem ser descobertos mais compostos que podem ser úteis noutras doenças.

«O próximo passo é identificar a estrutura responsável por esta actividade e ver se pode ser aplicada à indústria farmacêutica», referiu, acrescentando que aquela esponja nunca tinha sido explorada do ponto de vista biotecnológico.

A identificação da proteína que poderá ter um papel chave no combate ao cancro e à malária foi identificada através de uma plataforma tecnológica de alto débito, que permite fazer o rastreio de milhares de compostos num curto espaço de tempo, explicou.

«O facto de conseguir identificar logo numa espécie que não existe em mais lado nenhum do mundo um composto bio-activo dá-nos muitas lições», refere Gonçalo Calado, biólogo e presidente do IPM.

A ideia é agora testar o uso dessa plataforma noutras espécies, para alargar o leque de invertebrados marinhos dos quais possam vir a ser extraídas proteínas de interesse farmacológico.

Há cerca de cinco anos, iniciou-se no IPM um projecto de aquacultura de lesmas-do-mar com interesse para a indústria farmacêutica, cujos ensinamentos têm possibilitado a prospecção de outras espécies.

As lesmas-do-mar, pequenos moluscos coloridos aparentados com os búzios e as lapas e que produzem substâncias químicas com potencial farmacológico, podem estar prestes a apontar o caminho de novos anti-cancerígenos, anti-inflamatórios e analgésicos, segundo os investigadores.

Apesar de ainda não haver no mercado nenhum medicamento derivado de substâncias retiradas de lesmas-do-mar, existem outros organismos marinhos, como os corais e as esponjas, que têm dado um importante contributo à investigação científica.

Um dos mais importantes medicamentos utilizados no tratamento da SIDA - o AZT (zidovudina) - foi isolado a partir de uma esponja das Caraíbas e o analgésico mais forte do mundo, 50 vezes mais forte que a morfina, foi retirado de uma espécie de caracol.